Uma investigação da Polícia Civil do Ceará revelou uma história com desdobramentos de traição, incesto e tentativa de homicídio em Canindé, no Sertão Central.
O caso envolve Jaelson Camelo de Oliveira, de 39 anos, que era casado com Maria Aparecida Barroso e, ao mesmo tempo, mantinha um relacionamento amoroso com a própria filha, então com 20 anos.
De acordo com o delegado responsável na época, pai e filha confirmaram em depoimento que mantinham a relação havia cerca de um ano e oito meses. Aos policiais, afirmaram que se tratava de uma "paixão mútua". A investigação apurou ainda que Jaelson só reconheceu a paternidade quando a filha tinha cerca de 10 anos, e que ela passou a morar com ele aos 12. A polícia também investigou se a relação teria começado quando ela ainda era menor, mas a versão apresentada pelos dois foi de que começou aos 18 anos.
O relacionamento foi descoberto por Antônio Herilson da Silva Lopes, namorado da jovem. Segundo a Polícia Civil, após descobrir, Herilson não se afastou. Ele chegou a participar de encontros com os dois, formando uma relação a três.
Depois, ele decidiu revelar tudo para Maria Aparecida, esposa de Jaelson e madrasta da jovem.
Ao saber que o marido mantinha uma relação com a própria filha, Maria decidiu encomendar a morte dele. Ainda segundo a investigação, ela pagou R$ 3 mil pela execução e contou com a ajuda de Herilson para chegar aos executores.
No dia do ataque, Jaelson estava com a filha em Canindé quando dois homens armados chegaram e abriram fogo. O alvo principal era Jaelson, mas a filha também foi atingida.
Os criminosos fugiram. Poucas horas depois, a polícia apreendeu Israel de Sousa Silva, de 20 anos, e um adolescente de 17 anos. Com eles foi encontrado um revólver que, segundo a investigação, teria sido usado no crime.
Jaelson ficou internado por aproximadamente três meses e sobreviveu. A filha também sobreviveu, mas perdeu a visão de um dos olhos em decorrência dos disparos.
Os quatro envolvidos foram presos: Maria Aparecida, apontada como mandante; Herilson, como articulador para contratar os executores; e Israel e o adolescente, como autores dos disparos.
Meses depois, a Justiça concedeu liberdade provisória. Maria Aparecida passou a responder em liberdade em outubro de 2021, mediante medidas cautelares. Herilson também teve a prisão revogada posteriormente, com obrigações judiciais.
Apesar da gravidade do atentado, ninguém morreu.
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