quinta-feira, 8 de julho de 2021

CPI pede prisão de Roberto Dias, ex-diretor do ministério da Saúde
O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz, ordenou a prisão nesta quarta-feira (7) do ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, acusado de mentir em depoimento à comissão. Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra de vacina AstraZeneca, via intermediários, pelo Governo federal. Dias nega a acusação.

Os parlamentares tentaram esclarecer também o suposto envolvimento do ex-diretor em irregularidades na compra de outro imunizante: o indiano Covaxin. Nesta terça-feira (6), a servidora Regina Célia Oliveira disse não ter visto problema no contrato da vacina indiana, que resultou em investigação de Bolsonaro sobre suspeita de prevaricação. O Brasil registrou nesta terça mais 1.780 mortes causadas pelo novo coronavírus. Segundo os dados do Ministério da Saúde, o país totaliza 526.896 óbitos na pandemia.

Dias afirma “acaso”

O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, que depõe nesta quarta-feira (7) à CPI da Covid do Senado, declarou que seu encontro com Luiz Dominguetti em um shopping de Brasília se deu sem que ele tivesse planejado a reunião e negou ter pedido propinas para a compa de vacinas. Ele também falou que não competia a ele, como servidor do Ministério, negociar a compra de vacinas com fornecedores privados.

O encontro de Dias e Dominguetti ocorreu em 25 de fevereiro e deflagrou uma denúncia sobre pedido de propina dentro do Ministério da Saúde. Segundo Dominguetti, que é policial militar e atuava como representante da empresa Davati, eles e mais duas pessoas jantaram em um shopping de Brasília – e, na ocasião, Dias afirmou que a compra de vacinas da Astrazeneca, intermediada pela Davati, seria feita com o pagamento de propina de US$ 1 por dose.

Já a versão que Roberto Dias contou à CPI nesta quarta é distinta. Ele afirmou que foi ao shopping para beber um chopp com um amigo e, sem que ele tivesse conhecimento prévio, foi abordado por Dominguetti. O policial, então, teria o abordado para falar sobre a venda de vacinas. Dominguetti, de acordo com Dias, estava acompanhado de Marcelo Blanco, coronel do Exército que atuou também no Ministério da Saúde. Dias pediu que ele agendasse uma reunião oficial no Ministério. O encontro ocorreu no dia seguinte.

Dias também chamou Dominguetti de “picareta” e fez críticas ao deputado federal Luís Miranda (DEM-DF). O parlamentar de Brasília e seu irmão, o servidor Luís Ricardo Miranda, declararam que Dias fez pressão dentro do Ministério para a compra da vacina Covaxin, em um expediente do praticado em relação a outros imunizantes. A negociação para a aquisição da Covaxin, segundo a acusação, também seria motivada por propina.

O servidor Roberto Ferreira Dias negou ter exercido pressão sobre Luís Ricardo, o que foi denunciado pelo irmão do deputado à CPI. Segundo Dias, a acusação de pressão sobre ele se pauta em uma mensagem que ele enviou a Luís Ricardo – que, segundo o irmão do parlamentar, seria uma exigência para a aquisição das doses de Covaxin. Dias afirmou que sua mensagem na verdade se referia a outras vacinas, que chegariam ao Brasil no dia seguinte após a conversa entre eles.

O servidor declarou ainda que não é de sua responsabilidade a negociação direta para a compra de vacinas. “Não me coube negociar vacinas com Pfizer, com Janssen, com ninguém”, afirmou. Segundo ele, a competência do assunto era restrita à secretaria-executiva do Ministério, que à época era ocupada por Elcio Franco, o “número 2” da pasta durante a gestão de Eduardo Pazuello.

Neste ponto, foi contestado por senadores que fazem oposição ao governo de Jair Bolsonaro, que viram contradição entre seu posicionamento e sua fala sobre o encontro com Dominguetti em que relatou ter agendado uma reunião para o dia seguinte.

Dias afirmou ainda que não pode opinar sobre um eventual superfaturamento na compra das vacinas da Covaxin, por não ter gerência sobre o processo.

Antes do início da reunião desta quarta, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que Dias representava o elo entre dois “escândalos” que envolvem a compra de vacinas – o possível privilégio à fabricante da Covaxin e o pedido de propina para a compra dos imunizantes negociados pela Davati.

Com informações de El País e Gazeta do Povo

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